ESCLARECIMENTO

Responsável pelo navio Anna Karoline III dá sua versão sobre o trágico acidente
Dois dos sobreviventes também falam sobre as condições da embarcação, e contam detalhes do acidente que aconteceu no último sábado (29).




Paulo Simões conta sua versão do acidente. (Foto: Reprodução)

Após o naufrágio do navio Anna Karoline 3, no Sul do Amapá, no sábado (29), Paulo Simões, responsável da embarcação, contou à imprensa sua versão sobre o trágico acidente. Sobreviventes também deram sua verão do ocorrido, e segundo eles houve uma sequência de irregularidades desde o porto de Santana no Amapá até o momento do acidente. As informações são do Tribuna da Calha Norte.

Versão do responsável pela embarcação 

Paulo Simões relata que era por volta das 4h30 da manhã quando uma embarcação de pequeno porte se aproximou pra pegar encomendas, o barco do senhor ‘Talegal’, “a gente parou e ficamos lá. Quando ela atracou ao nosso lado, começou a formar um tempo forte, muito vento e o navio foi adernando e não teve como segurar, virou." conta o responsável pela embargação.

"A gente estava a uns 100m da margem e nós, tripulantes, a metade em cima do casco do navio nos salvamos, e os outros foram socorridos pela balsa e mais uma embarcação de madeira, justamente a que estava ao lado do navio”, completa Paulo.

De acordo com Paulo, aproximadamente 80 pessoas estavam no Anna Karoline III. “Foram resgatadas 45 e como ficaram alguns por aí, no caminho, que a gente vem deixando, acredito que tenha umas trinta e poucas desaparecidas”, supôs.

Segundo o comandante, a viagem seguia normal. “Foi muito rápido que formou mesmo o tempo, situação da natureza. Paramos pra deixar a encomenda para o conhecido ‘Tálegal’, e logo após ele encostar começou, aí estourou os cabos do barquinho dele. Por sorte, pois foi justamente o barco que socorreu as pessoas, senão, até ele teria virado e acho que seria pior a tragédia”, detalhou Paulo.

Navio que Paulo Simões estava responsável. (Foto: Reprodução)

“Teve gente que na hora que viu tombando, uns 3 ou 4, pularam logo pra dentro do barquinho dele. Aí o resto se salvou em balsa salva-vida, coletes e eu com mais uns 10 passageiros, ficamos em cima do casco do navio, pois ele virou de lado. O comandante da balsa Moça fez duas manobras e conseguiu pegar a gente lá”, completou.

Paulo Simões garantiu que o navio só saiu do Porto de Santana após inspeção da Marinha.
 

“Quero esclarecer que nós só saímos do Porto de Santana após a autorização da Marinha, foi inspecionada e a Marinha liberou a embarcação. As pessoas comentaram que estava com muita carga; tava completa a carga do navio, tudo certinho, na marca d’água, inclusive viajamos 10h sem problemas, tudo legal”, finalizou.

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Relatos dos sobreviventes

Segundo duas pessoas que sobreviveram ao trágico acidente e preferiram não serem identificadas, no Porto de Santana entrou dois despachantes da Capitania dos Portos do Amapá no navio e foram levados até um reservado com o responsável da embarcação, senhor Paulo Simões. Quando os despachantes da Capitania estavam à sair, um passageiro questionou que estava entrando água por cima do convés, se era normal aquilo, um dos despachantes disse que ia averiguar, logo em seguida chegou uma equipe de Capitania dos Portos no local, e um dos despachantes disse aos demais colegas que ‘estava tudo ok’, que já tinham fiscalizado a embarcação, sem sequer ir ver a água passando por cima do convés.

Assim que o navio saiu do porto de Santana, passageiros questionaram que estava com excesso de carga, mas foi respondido por um dos funcionários que era normal o navio navegar naquelas condições, que a água que escorria pelo convés quando batia as maresias não penetrava para o porão, portanto não tinha nenhum risco.

Balsa que abrigou os passageiros do "Anna Karoline III". (Foto: Reprodução)
 

Ainda segundo o relato, o comandante da embarcação teria tirado plantão das 18h às 00h e este, teria falado para um outro funcionário que o navio estava ruim de leme, (direção) por conta do peso, sendo ouvido por um passageiro.

Por volta das 4h da manhã, debaixo de um temporal, o navio parou para um barco fazer o abastecimento do navio com combustível clandestino, de um senhor de apelido ‘Telegal’. No momento em que o barco atracou, o navio parou de navegar e ‘ficou a deriva em pleno temporal’, foi no momento em que ficou de lado com as maresias fortes e começou a virar.

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Um dos sobreviventes que estava no terceiro andar, disse que, quando percebeu que a embarcação estava afundando pulou no rio, o barco do ‘Telegal’ desatracou de imediato e se afastou, ficando de longe vendo o navio ser engolido pelas águas, e muitas pessoas desesperadas pedindo socorro.

Após o navio sumir no rio a mesma embarcação desse senhor ‘Telegal’ começou a fazer o resgate das pessoas. “Foi tudo muito rápido, nós que estávamos na parte aberta (terceiro piso) foi fácil pular na água, mas para quem estava na área vip (segundo piso), que é toda com janelas de vidro, tudo fechado, muitas pessoas não tiveram tempo de sair. Depois que afundou fico tudo muito escuro, ninguém sabia pra onde era a beira do rio”, relatou um sobrevivente chorando. Logo em seguida chegou uma balsa boiadeira no local que foi recebendo os sobreviventes.

Sobre o naufrágio 

O Anna Karoline 3 saiu por volta das 18h de sexta-feira (28) de Santana, no Amapá, em direção a Santarém, no Pará. A viagem entre as duas cidades dura em média 36 horas. A previsão de chegada em Santarém era às 6h de domingo (1º).​

Equipes colocaram boia no local onde embarcação afundou para ajudar nas buscas.(Foto: Prefeitura de Almeirim/Divulgação)


O naufrágio aconteceu no sábado (29), e 23 passageiros seguem desaparecidos. O subcomandante do Corpo de Bombeiros, coronel Janary Picanço, disse que não há um número oficial de vítimas, pois a embarcação não tem uma lista de passageiros para orientar as buscas, mas o que se sabe é que estavam sendo transportadas pelo menos 60 pessoas.

Fonte: Tribuna da Calha Norte






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