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Trabalhadores do antigo Hospital de Campanha de Santarém usam outdoor para cobrar salários
Unidade encerrou atividades em setembro de 2020 e ação corre na Justiça para resolver a pendência. Atrasos chegam a três meses para alguns profissionais.




Outdoor em Santarém cobra salário de profissionais que atuaram no Hospital de Campanha. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Vários profissionais que atuaram no primeiro Hospital de Campanha de Santarém, no oeste do Pará, no ano passado, ainda não receberam os salários pelos serviços prestados à unidade que atendeu pacientes com Covid-19 por cinco meses. Para chamar atenção ao problema, outdoors foram colocados em vários pontos da cidade com a frase "cadê nosso salário?".

A imagem usada para cobrar o pagamento foi a mesma que viralizou no dia que a unidade encerrou as atividades, em setembro de 2020, quando os profissionais se despediram dos trabalhos e agradeceram a oportunidade de terem salvado vidas. 

A unidade hospitalar foi entregue pelo Governo do Estado e era administrada pela organização social Instituto Panamericano de Gestão (IPG), com 120 leitos exclusivos para pacientes com Covid-19.

Três meses sem salários


Os atrasos no pagamento de salários não foram apenas aos profissionais que atuaram diretamente com os pacientes. Equipes de apoio, logística, entre outros, também não receberam pelos serviços prestados.

Segundo informou a advogada Gyanny Dantas, que representa os médicos que atuaram na unidade hospitalar,   após o fechamento do Hospital de Campanha, ainda em setembro de 2020, protocolaram uma ação na Justiça visando receber os salários dos meses de julho, agosto e setembro.

"O Estado contratou o IPG, que por sua vez contratou a Golden para contratar os médicos. Nós tentamos negociar com todos antes de entrar com a ação, mas o Estado reafirmava que já tinha feito o repasse ao IPG, e o IPG dizia que não tinha recebido. Por conta dessa incerteza e dessa insegurança nós propomos a ação", explicou.

Os outdoors foram colocados em outros pontos de Santarém — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Gyanny disse ainda que no dia 15 de dezembro, o Governo Estadual fez um depósito judicial vinculada à Ação Civil Pública movida em junho de 2020 pelo Ministério Público para que a unidade hospitalar pudesse cumprir com as obrigações e dar transparência na administração de recursos. Entretanto, o valor depositado em juízo foi depositado vinculado à ação do MPPA.

A empresa Golden também entrou na Justiça requerendo o pagamento dos salários dos médicos e a Justiça acatou o pedido. Porém, o recurso já estava depositado na conta da ACP.
 

"Hoje esse valor continua bloqueado. Nós já reunimos com o juiz, com o Ministério Público, mas estamos aguardando um posicionamento da Justiça. Ainda não temos a posição de quando ou como vai ser feito o pagamento", completou a advogada.

Com as incertezas dos pagamentos, muitos profissionais saíram de Santarém - que é referência no tratamento da Covid-19 - e foram atuar no combate à pandemia em outros municípios da região, como Itaituba, Oriximiná, Monte Alegre e Juruti.

A Secretaria de Saúde do Pará informou que os pagamentos de despesas do Hospital de Campanha de Santarém foram pagas em juízo na intenção de defender os interesses dos profissionais, após o informe de que a empresa não estava cumprindo com os pagamentos. A liberação dos valores está condicionada à decisão da Justiça de Santarém.

A Sespa ressaltou que não possui qualquer contrato vigente com o IPG e que está adotando medidas administrativas para que a empresa não possa mais atuar no Pará. Além disso, o Estado buscará reparação judicial para restituir os danos causados.

Fonte G1 Santarém


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